A Flora Atlântica

FLORA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica do sul da Bahia se destaca por apresentar uma das maiores riquezas de espécies arbóreas do mundo, e pelo elevado grau de endemismo, isto é, a presença de espécies que são encontradas somente nesta região. O sul da Bahia permaneceu como uma das regiões mais conservadas da Mata Atlântica até a metade do século passado, foi quando houve a abertura de rodovias que favoreceu o início da atividade madeireira em larga escala, desencadeando um rápido e intenso processo de desmatamento (SAMBUICHI, MIELKE e PEREIRA, 2009). Segundo dados do SOS Mata Atlântica (2013), hoje restam apenas 8,5% de remanescentes florestais, sendo este ecossistema um dos mais ameaçados do planeta.

A região de atuação do Programa Arboretum é conhecida como Hiléia Baiana e engloba o sul da Bahia e norte do Espírito Santo, compreendendo, portanto, parte do Corredor Central da Mata Atlântica. Esta região possui tanto áreas preservadas com espécimes arbóreas centenárias, assim como áreas que foram quase totalmente desmatadas numa história recente (décadas de 50 a 80).

Diante desta potencial diversidade e de uma demanda crescente de adequação ambiental de imóveis rurais o Programa Arboretum visa o conhecimento e uso deste potencial, entre outros, na restauração florestal e na produção de conhecimento científico.

 

 

ESPÉCIES PRIORITÁRIAS PARA CONSERVAÇÃO 

Em função do histórico de devastação da Mata Atlântica, há muitas espécies que constam na Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. Tal levantamento é de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, e consta na Instrução Normativa nº 6, de 23 de setembro de 2008.

O Centro Nacional de Conservação da Flora (CNC Flora), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, lançou em 2013 o primeiro “Livro Vermelho da Flora do Brasil” que reúne avaliações sobre o risco de extinção de espécies de plantas no país e representa uma contribuição da comunidade científica para a atualização da lista oficial do Ministério do Meio Ambiente. Para baixar a publicação, acesse http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/livro.

Segundo dados do CNC Flora, a região da Hiléia Baiana, possui 222 espécies enquadradas nas diferentes categorias de ameaçadas, sendo que destas há 71 arbóreas.

Entre as espécies ameaçadas prioritárias para conservação podem ser citadas:

 

Espécie Categoria* Nome Popular Família Botânica
Cedrela odorata L. VU Cedro cheiroso Meliaceae
Inga grazielae (Vinha) T.D.Penn. VU Ingá rosa Fabaceae
Manilkara multifida Pennington VU Massaranduba Sapotaceae
Paratecoma peroba Kuhlm. EN Peroba do Campo Apocynaceae
Protium bahianum D. C. Daly EN Amescla Burseraceae
Virola bicuhyba (Schott ex Spreng.) Warb. EN Bicuíba Myristicaceae

*VU = vulnerável; EN = em perigo

  

ARBORETO 

A Base do Programa Arboretum de Conservação e Restauração da Diversidade Florestal contará com um arboreto tendo foco em espécies raras, ameaçadas e endêmicas.

A palavra “arboreto” é derivada do latim arbor, que significa árvore. Na verdade, se refere a uma coleção de árvores. Arboreto é “um jardim botânico ou uma área destinada para o cultivo de uma coleção de árvores, arbustos, plantas herbáceas, medicinais, ornamentais ou outras, mantidas e ordenadas cientificamente, documentadas e identificadas, e aberto ao público com as finalidades de recreação, educação e pesquisa” (INSTITUTO FLORESTAL DE SÃO PAULO, 2014). Arboreto pode ser definido de forma mais ampla como uma coleção de plantas, geralmente de porte arbóreo, com finalidades diversas como pesquisa, lazer e educação, por exemplo.

As espécies ameaçadas, raras e endêmicas e, portanto, prioritárias para conservação, irão compor o arboreto da Base de Conservação e Restauração da Diversidade Florestal, que além de fornecer sementes destas espécies irá também ser um local para o desenvolvimento de atividades voltadas para a educação ambiental, pesquisa e conservação da diversidade intraespecífica.

A espécie cuja população total vem diminuindo em ritmo acelerado, podendo até desaparecer, em função das ações antrópicas, são consideradas espécies ameaçadas de extinção. De forma geral há três categorias de ameaça (MAZZINI, 2011):

- Em perigo: espécie com risco de desaparecer caso não cessem as causas de ameaça;

- Ameaçada: espécie que provavelmente passará à categoria de “em perigo”, caso permaneçam as condições adversas;

- Rara: espécie com pequena população mundial.

 Já as endêmicas são espécies que ocorrem apenas em determinado local, sendo exclusivas deste ambiente.  A espécie pode ser classificada como endêmica considerando diferentes critérios, como por exemplo, políticos ou fitofisionômicos: uma espécie pode ser endêmica da Mata Atlântica ou ainda ser endêmica da floresta ombrófila densa da Mata Atlântica da Bahia.

 

 

REFERÊNCIAS

 

INSTITUTO FLORESTAL DE SÃO PAULO. Arboretos. Secretaria Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Disponível em: < http://iflorestal.sp.gov.br/colecoes-e-acervos/arboretos/ >, Acesso em: 03 Nov 2014.

MARTINELLI, G.; MORAES, M.A. (Orgs.) Livro vermelho da flora do Brasil. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2013. 1100p.

MAZZINI, A.L.D. de A. Dicionário educativo de termos ambientais. 5. Ed. Belo Horizonte: A.L.D. Amorim Mazzini, 2011. 644p.

SAMBUICHI, R.H.R.; MIELKE, M. S.; PEREIRA, C.E. (Orgs) Nossas árvores: conservação, uso e manejo de árvores nativas no sul da Bahia. Ilhéus: Editus, 2009. 296p.

SOS MATA ATLANTICA. Página inicial. Disponível em: http://www.sosma.org.br/. Acesso em: 03 Nov 2014.

CANAL DE VÍDEOS